quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Professorinha

Quinze anos se passaram, hoje você está com mais de trinta e eu, chegando aos quarenta e cinco.

Seu contato é um misto de surpresa e, o que só iria perceber mais tarde, muita alegria. Pergunta se me lembro de você. E respondo com um tom de voz que denuncia o que nem eu sabia, você habitava minhas mais doces lembranças, isso incomoda-me. Gentilmente, pergunta sobre meu marido e não disfarça nem um pouquinho a felicidade de ouvir que há muito nos separamos. Se solta na conversa, posso até ver aquele sorriso, ainda num adolescente tímido, largo e lindo. Só agora percebo o quanto eu gostava daquele sorriso. Isso quase me faz sentir-me mal, seria pecado? Mas meus pensamentos nunca foram além de acharem aquela extensão de lábios encantadora.

As conversas se arrastam por alguns dias, agora não mais escritas, já posso ouvir sua voz. Não encontro nela nenhum menino, encontro sedução, mas ainda há muita doçura.

Você diz que nunca se esqueceu da sua professorinha, que mal prestava atenção nas aulas, pois seus olhos se perdiam na minha calça jeans. Coisa de adolescente, só não imaginei durar tanto. Gosto de ouvi-lo falar de mim e, que depois de quinze anos estou mais bonita.

Já não me contenho e muito menos tento dissimular a vontade de reencontrá-lo... na verdade, a vontade de encontrar o homem que eu ainda não conheço. Você quer o mesmo. Me convido pra ir ao seu encontro. É perceptível sua excitação diante do meu inusitado invitamento. Marcamos o dia.

Claro que eu já havia visto fotos suas, os mesmos quase dois metros de altura, a mesma pele alva, porém num corpo cheio de decisão, e o mesmo sorriso, aquele lindo e doce sorriso, só que agora ornado por uma espessa barba que só pude imaginar me causando arrepios. A barba me convence de vez que tudo isso não é pecado.

O táxi para, lá está você, pernas levemente abertas, braços cruzados que logo se largam preparando o abraço e aquela expressão facial que eu percebo me encantar ainda e muito, só que agora há mais fome que doçura nesses olhos que brilham quando me encontram. Ao me abraçar, repete meu nome e no diminutivo, como faria muitas outras vezes.

Subimos as escadas em meio a sorrisos e risadas desconcertadas, desconcertantes, estamos felizes e cheios de tesão. Sinto sua mão em meus cabelos, antes dos últimos degraus me puxa colocando-me de frente pra sua boca que, sedenta por quinze anos, me beija. O desejo do menino se faz presente nos braços fortes daquele Homem. Eu me apaixono.

O beijo cessa e recomeça a cada degrau. Entramos aos tropeços enquanto mãos inquietas lutam contra os panos que ainda se encontram entre nossa fome. Você desnuda meus seios e os beija e os suga matando a sede que eu, até então, desconhecia existir, também, em mim. Arranca tudo que resta e chega até meu sexo molhado da saudade não percebida. Você o beija, se alimenta do meu tesão e, ali mesmo, me rouba um gozo com sabor de novidade.

Nos dias que se seguiram, eu ia conhecendo mãos que pareciam ter guardado um mapa do meu corpo. Eu ia descobrindo uma pele alva que ao encostar na minha me fazia ferver e, mais uma vez, eu me derretia em gemidos adolescentes. Ia conhecendo naquele par de olhos negros uma fome de quem aguardou com calma o tão esperado banquete. Você me comia com a voracidade de um menino que ainda aprende e, a destreza de um homem que conhece todos os talheres. Eu me sentia o melhor dos vinhos, adormecido em meu leito de carvalho aguardando ser despertado por você.

Só ainda não sabia que o que escorria por entre minhas pernas era puro amor.

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